Brasília - Há um mês os professores de Goiás entraram em greve.
Na manhã desta quinta-feira (15), cerca de 15 mil
trabalhadores em educação de todo o Mato Grosso do Sul, segundo estimativas da
Polícia Militar, participaram de uma passeata pelas ruas do centro de Campo
Grande.
A mobilização, organizada pela Federação dos Trabalhadores em
educação de Mato Grosso do Sul, superou as expectativas de 10 mil
trabalhadores, divulgada anteriormente.
O que eles querem? simplesmente a valorização da profissão.
É inadmissível para um país, que está prestes a entrar para
os “grandes” do mundo, tratar com tanta irresponsabilidade o bem mais precioso
de qualquer nação: o valor humano.
O professor em nosso país trabalha mais do que o triplo em
comparação aos trabalhadores “comuns”.
Antes de irem para a sala de aula, preparam o assunto na
noite anterior.
No dia seguinte cumprem uma jornada estressante e exaustiva de
mais de oito horas na prática do ensino. Outras tantas horas gastam em casa corrigindo provas, tarefas, produzindo
relatórios.
Ainda têm aqueles que, para aumentar um pouco mais a renda, estendem a rotina para a parte noturna.
Não esquecendo da grande maioria que se mata em
especialização, mestrado, doutorado ou
pós-doutorado, na ânsia constante do aperfeiçoamento.
E para esta fatigante rotina nos rincões do Brasil percebem,
em média, menos do que dois mil
reais por mês, convivendo com toda a falta de estrutura escolar e a corrupção desenfreada de prefeitos e
secretários.
Mês passado foi definido o piso nacional do magistério em R$
1.451. Ou seja, nenhum professor país a fora pode ganhar menos do que isso.
Porém, a malandragem dos governadores e gestores escolares é
obscena.
Eles estão tirando as gratificações por função e
especialização, o que teoricamente
mantém os salários como estão, tudo sob o pano de fundo de não estourar
o orçamento.
É contra isso tudo que os professores do Brasil estão lutando neste
momento.
Um país que possui uma das maiores economias do mundo, tido
como celeiro do planeta e preste a ser
potência mundial, não pode se dar ao luxo de negligenciar criminosamente a
educação de seu povo, notadamente os mais jovens.
E nesta oportunidade é necessário enfatizar a urgência de uma
escola integral para todos os alunos.
Só a educação é capaz
de diminuir a violência, de aumentar o nível de cidadania e de democracia, de
aumentar o poder de renda e propiciar a mobilidade
social.
Só a educação é capaz de dar uma alforria aos menos
afortunados.
A questão salarial
dos profissionais e a reestruturação da gestão escolar são dois caminhos
indispensáveis para se começar a trilhar o caminho de uma educação decente e
coerente com este novo país que se avizinha.








